T-116d até John Ternus assumir como CEO da Apple  ·  efetivo 2026-09-01

Família M (Apple Silicon)

A transição da Intel para silício próprio da Apple — cinco gerações da família M (M1 → M5) em cinco anos sob a liderança de hardware de John Ternus, três tiers, zero atrasos públicos. A maior reorganização técnica da Apple desde PowerPC → Intel.

Chip Apple M1 — primeira geração, 2020
Apple M1, primeiro chip da família M, anunciado em 2020-11-10. Fonte: Wikimedia Commons.

Em 10 de novembro de 2020, a Apple lançou o chip M1 — o primeiro processador desktop-class da empresa, baseado em arquitetura ARM, fabricado pela TSMC em processo de 5 nm. O M1 estreou em três produtos: MacBook Air, MacBook Pro 13" e Mac mini. Esse momento marcou o início da transição de plataforma mais consequente da história da Apple desde a migração PowerPC → Intel em 2006.

Cinco anos depois, em 2025, a transição está praticamente concluída. Cinco gerações da família M (M1, M2, M3, M4, M5) lançadas em cinco anos. Três tiers de produto (base, Pro, Max, Ultra) shipping simultaneamente. Zero atrasos públicos significativos. Comparado a qualquer transição equivalente — Intel para 14nm, AMD para Zen, NVIDIA para Ada Lovelace — a cadência da Apple Silicon é difícil de igualar na indústria.

A divisão de hardware sob John Ternus rodou tudo isso. É o mais consequente projeto de execução de hardware do qual a Apple já participou.

Por que a Apple Silicon importou

Em 2018, a Apple ainda dependia da Intel para todos os Macs. Isso significava três problemas:

  1. Cadência de Intel. Quando a Intel atrasava um nó (e a Intel atrasou 14nm, 10nm, depois 7nm), a Apple atrasava produto. A Apple não controlava seu próprio cronograma de Mac.
  2. Eficiência energética insuficiente para os formatos que a Apple queria construir (laptops cada vez mais finos, com baterias cada vez maiores).
  3. Diferenciação técnica zero. Qualquer fabricante PC podia comprar o mesmo chip Intel. A Apple não tinha vantagem arquitetural no Mac, ao contrário do que tinha no iPhone (com chips A custom desde 2010).

A solução foi: fazer o próprio chip. A Apple já vinha praticando há uma década no iPhone (chips A) e no iPad (A12X foi o protótipo). M1 foi o cruzamento de ARM mobile-first com ambições desktop-class.

A cadência: cinco gerações em cinco anos

GeraçãoLançamentoMarco
M1b.2020.11.105nm (N5)MacBook Air, MacBook Pro 13", Mac mini. Primeiro Mac ARM.
M1 Pro/Maxb.2021.10.185nm (N5)MacBook Pro 14"/16". Tier “Pro” estreia.
M1 Ultrab.2022.03.085nm (N5)Mac Studio. Tier “Ultra” estreia (dois M1 Max conectados via UltraFusion).
M2b.2022.06.065nm (N5P)MacBook Air, depois Mac mini, MacBook Pro 13", iPad Pro.
M2 Pro/Max/Ultrab.2023.01–065nm (N5P)MacBook Pro 14"/16", Mac mini Pro, Mac Studio.
M3b.2023.10.303nm (N3B)MacBook Pro 14"/16", iMac. Primeiro chip 3nm de consumo do mundo.
M3 Pro/Maxb.2023.10.303nm (N3B)MacBook Pro Pro/Max simultaneamente.
M4b.2024.05.073nm (N3E)iPad Pro M4. Primeira vez que M-series estreia em iPad antes de Mac.
M4 Pro/Maxb.2024.10.303nm (N3E)MacBook Pro 14"/16".
M5b.2025.103nm (N3P)*Família completa em 2025–26.

*Detalhes de processo M5 ainda parcialmente sob NDA quando este documento foi escrito.

A apresentação Apple Silicon como execução

O que essa tabela esconde é o nível de organização industrial necessário para executá-la. Para shippar uma geração de chip por ano em três tiers, em cadência sincronizada com:

…você precisa de uma divisão de hardware extremamente bem coordenada. A divisão sob Ternus fez isso sem deslizes públicos por cinco anos consecutivos. É o tipo de execução que faz a Wall Street parar de fazer perguntas ruidosas sobre estratégia e simplesmente esperar o próximo trimestre.

MacBook Pro 16" com M1 Pro (2021), o produto que fechou a transição do Mac
MacBook Pro 16 polegadas com chip M1 Pro, 2021 — o produto que finalmente acabou com o argumento 'Macs Apple Silicon não são para profissionais'. Fonte: Wikimedia Commons.

O que isso conta sobre Ternus como CEO

A transição Apple Silicon é, na prática, a credencial mais forte de Ternus para CEO. Software erra para dentro — um bug pode ser fixado em uma semana, um iOS x.0.1 corrige a maioria. Hardware erra para fora — um problema que sai pela porta vai para milhões de unidades, e o custo de retrabalho é o trimestre da empresa.

Quem dirige uma divisão de hardware com cadência de Apple Silicon e não erra publicamente em cinco anos demonstrou um tipo específico de talento: a capacidade de tomar decisões irreversíveis bem. Esse é o talento de CEO. Veja o ensaio completo em Por que Ternus, e não Federighi?.

O que vem depois

Apple Silicon ainda tem fronteiras a cruzar. Pelo menos quatro:

  1. Modems — Apple desenvolveu seu próprio modem celular, que estreou em 2025–26. Substituir Qualcomm é um dos maiores projetos plurianuais ativos.
  2. Baseband Wi-Fi e Bluetooth — outra dependência de fornecedor que Apple está internalizando.
  3. GPUs em escala discreta — a tradição Apple-Silicon é GPU integrada na SoC. Fronteira: GPUs separadas para workstations e servidores AI.
  4. Computação neural / AI inference — o Apple Neural Engine evoluiu com cada geração M, mas a fronteira de inference-on-device ainda está em curso.

Essas decisões agora são de Ternus. Veja O que significa ter um CEO de hardware? para a análise.

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