iPhone (era Ternus)
John Ternus assumiu o hardware do iPhone em 2020, sob Tim Cook. Cinco anos depois, o iPhone passou por uma reinvenção formal completa: USB-C, titânio, Dynamic Island, redesenho da câmera Pro. Tudo sob a sua direção.

Em 2020, Tim Cook entregou a John Ternus o que era talvez a mais delicada cadeira de hardware da empresa: a divisão de iPhone. Antes desse momento, o hardware do iPhone reportava-se diretamente a Dan Riccio. Cinco anos depois, o iPhone passou pela mais completa reinvenção formal desde o iPhone X (2017): USB-C, titânio, Dynamic Island, sensor periscópio, e o que ficaria conhecido como o “modo iPhone Pro” — uma divisão deliberada de feature-set entre tiers.
Esta página é o registro do iPhone sob Ternus.
A passagem de Riccio para Ternus (2020)
A entrega do iPhone aconteceu sem alarde corporativo. Não houve press release dedicado. Foi uma decisão interna que sinalizava — a quem prestava atenção — quem seria o próximo SVP de Hardware Engineering quando Riccio saísse. Riccio foi promovido a “VP de Special Projects” pouco depois, e Ternus passou a ser o ponto único de hardware de iPhone, iPad, Mac, AirPods e Watch.
A primeira geração de iPhone que Ternus dirigiu integralmente foi o iPhone 12 (outubro de 2020). Não por coincidência, foi a primeira reinvenção formal do iPhone desde o iPhone X.
iPhone 12 — o redesenho de bordas planas

O iPhone 12 trouxe três mudanças simultâneas:
- Bordas planas em alumínio (Pro) ou aço inoxidável (Pro Max). O vocabulário formal do iPad Pro 2018 — que Ternus apresentou em palco em Brooklyn — chegou ao iPhone com dois anos de defasagem.
- 5G em todos os modelos. Até 2020, 5G era um diferencial Android. Apple esperou o ecossistema amadurecer e entregou em todos os tiers de uma vez.
- MagSafe para iPhone — sistema magnético de carregamento e acessórios. A Apple internalizou um conceito que vinha do MacBook (Magsafe original, 2006) e o reinventou para um caso de uso completamente diferente.
O iPhone 12 vendeu mais que qualquer iPhone anterior em termos de dólares por unidade. A divisão de hardware sob Ternus tinha entregue um redesenho de mainstream sem qualquer atraso público.
iPhone 14 Pro — Dynamic Island (2022)
Em setembro de 2022, Ternus apresentou pessoalmente o Dynamic Island do iPhone 14 Pro no palco da Apple. O Dynamic Island foi a solução elegante para um problema mecânico: o sensor TrueDepth precisava de uma área dedicada na frente do display, e essa área tinha sido o “notch” desde o iPhone X. A Dynamic Island transformou o problema em feature — uma região dinâmica do display que muda de forma para mostrar status, notificações, music playback.
A solução é puramente de hardware-software: o sensor não mudou, mas o firmware do display trata a região como uma extensão da UI. Esse tipo de inversão “problema-vira-feature” é a marca da divisão sob Ternus. Em vez de adicionar um sensor under-display (que a indústria tentava), Apple aceitou o constraint mecânico e construiu UX em cima dele.
iPhone 15 — USB-C (2023)
Em setembro de 2023, a Apple finalmente migrou o iPhone para USB-C, com seis anos de defasagem em relação ao iPad Pro 2018. A mudança não foi apenas de conector — foi de filosofia de produto. Lightning era uma decisão proprietária da era pré-Cook; USB-C era a aceitação de que o iPhone agora opera num ecossistema onde a Apple controla menos da pipeline.
O catalisador foi regulatório (a UE forçou USB-C a partir de 2024), mas o iPhone 15 saiu meses antes da deadline europeia. Ternus tinha o redesign pronto.
iPhone 15 Pro — primeiro titânio (2023)
Junto com USB-C, o iPhone 15 Pro estreou o chassi em titânio. Era a terceira mudança de material desde o iPhone original (alumínio → vidro+aço → titânio). O titânio é mais leve, mais resistente a arranhões, mas mais difícil de fabricar e mais caro. A divisão de hardware sob Ternus aceitou todas as três compensações em troca da diferenciação visual no tier Pro.
O resultado: iPhone 15 Pro pesa 19 % menos que iPhone 14 Pro Max enquanto mantém a maior parte das especs. Esse tipo de “ganho de uso por ganho de material” é hardware-engineering puro.
iPhone 16 e além
A geração de iPhone 16 (2024) trouxe o botão de Câmera Capture, um novo sensor cinematográfico, e o início da era “Apple Intelligence” — IA on-device usando o Neural Engine que evoluiu sob Ternus na divisão de Apple Silicon.
Em 2025–26, o iPhone caminha para uma versão “Air” mais fina, possivelmente usando vidro flexível. É o tipo de aposta de form-factor que típico de uma divisão de hardware confiante.
A cadência sob Ternus
Entre 2020 e 2026, a divisão de hardware da Apple sob Ternus shippou sete gerações de iPhone (12, 13, 14, 15, 16, mais previsões de 17 e Air), com quatro variantes por geração (base, Plus/mini, Pro, Pro Max). Isso é 28 SKUs de iPhone lançados em seis anos, em sincronia com:
- Cadência da TSMC para os chips A,
- Cadência dos parceiros de display (LG Display, Samsung, BOE),
- Cadência da Foxconn para montagem,
- Calendário Apple anual de eventos de setembro.
Zero atrasos públicos. Esse track record é a credencial mais quantitativa de Ternus para CEO.
Especificações resumidas (geração atual)
- iPhone 16 Pro: A18 Pro (3nm), titânio, 6.3" Super Retina XDR, USB-C 3.0, Dynamic Island, Camera Control button.
- Sensor: sistema triple-camera com periscópio 5x.
- Bateria: otimizada para 8h+ de vídeo on-device.
- Cadência: uma geração principal por ano em setembro.
Veja também
- Apple Vision Pro — a apresentação que confirmou Ternus como a face de hardware.
- iPad Pro 2018 — onde o vocabulário formal do iPhone 12 nasceu.
- Família M (Apple Silicon) — o Neural Engine que alimenta Apple Intelligence.
- Biografia — o engenheiro que assumiu o iPhone em 2020.